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Precisamos falar sobre o suicídio

25 de setembro de 2016


E hoje teremos a nossa última postagem sobre o Setembro Amarelo, e convidei a Magda uma grande amiga minha e psicóloga, para falar um pouquinho mais sobre esse tema. Ela falou de uma forma bem leve e de fácil entendimento, nos trouxe um texto mais reflexivo sobre a importância de se falar sobre suicídio, sobre como podemos ajudar pessoas que sofrem com esse problema. A Magda também tem um blog super lindo o Psicoflores, passem lá para conferir que vale super a pena. Clicando aqui, aqui e aqui você consegue ver os outros post sobre o tema. 

Suicídio. Um silêncio se faz quando essa palavra surge em meio à nossa sociedade. Há um quê de mistério, tabu e medo ao se falar ou pensar sobre o tema. Mas, quantos de nós já ouvimos, vivemos, ou soubemos de histórias que envolvem suicídio? Após acontecer, sempre o misto entre a busca por se conhecer o motivo, possíveis culpados e tentar, de alguma forma, silenciar o acontecido. Quanto mais surgem questionamentos, menos respostas existem, pois o motivo sempre está nas entrelinhas da vida daquela pessoa que se suicidou. Mas antes do suicídio, a grande maioria das pessoas tem dificuldades em falar sobre a morte, não a compreendendo como parte do ciclo da vida.

Não tenho a intenção de aqui falar sobre estatísticas, mas sim, sobre a subjetividade que envolve o suicídio. Quantos de nós, uma vez na vida, já pensou na morte como resolução de algo complexo, doloroso? O suicida vai além do pensamento, e por isso nos causa perplexidade, porque mobiliza a humanidade que há em cada um de nós e nos faz questionar o que poderíamos ter feito se tivéssemos percebido os pedidos silenciosos por ajuda que podem ter surgido e anulados pelos excessos que estão em nossas vidas.

Recordo que ainda no ensino médio, um colega de turma se suicidou, e mobilizou a toda a turma, além dos professores, outros alunos, coordenadores, etc. Mas dentre as primeiras falas, buscava-se compreender o motivo e encontrar culpados. Culparam colegas, família, apontaram (apontamos) erros que podem ter levado ao máximo que fora o suicídio. A verdade é que a vida sinaliza seu desgaste e a necessidade de cuidado, mas nós raramente estamos dispostos e disponíveis a perceber e estar perto. Talvez, como principal ponto sobre o cuidado a nós, enquanto pessoas seria estar perto, estar junto para o que o outro precisar.


O suicídio vai sendo sinalizado por frases soltas e “sem sentido”, como: não aguento mais essa vida; eu preferia morrer a passar por isso; eu só penso em fazer besteira; entre outras. E nas ações também se deixam sinalizar, sobretudo por que o suicídio está associado a diversas patologias, como depressão, transtornos de humor. Não significa que pessoas em sofrimento mental irão se suicidar, mas em alguns casos, são fatores associados, sobretudo quando não há cuidado/tratamento, ou não é seguido adequadamente, as relações estão fragilizadas, não existe ponto de apoio, descaso com a própria vida, etc. É um mito dizer que quem fala que vai fazer, não faz. Faz sim, mas tentou lhe alertar antes, porque precisava de ajuda. A intenção maior do suicida é cessa a dor, o sofrimento e não necessariamente a vida.

A campanha do Setembro Amarelo tem como intenção principal nos fazer falar sobre suicídio, pois é pouco discutido. Nossos medos precisam dar lugar ao conhecimento, para que este silêncio seja quebrado e mais e mais pessoas tenham a possibilidade de encontrar solo fértil para que falem e expressem a necessidade de cuidado. Precisamos quebrar o silêncio, para conseguir ouvir o outro, por mais ilógica que pareça essa frase.

Alguém precisa estar lá para identificar os sinais, enxergar o outro e seu sofrimento, e ir em busca de ações. Mas a quem recorrer? Durante este mês, alguns de vocês podem ter visto nas redes sociais algumas pessoas disponibilizando seus contatos de aplicativos de mensagens para quem precisasse de ajuda. Apesar de ser essencialmente uma iniciativa de muito boa intenção, precisamos alertar que não é tão simples assim. Não é só questão de emprestar o ouvido. Saber o que fazer com o que é entregue nestes momentos de fala, é extremamente importante e pode ser crucial em muitos casos. Pode-se correr o risco de entrar nos “achismos” e julgamentos e assim não ajudar em nada a quem precisa urgentemente de cuidado. A vida dessas pessoas precisa ser encarada com esse cuidado, mas necessita de uma estrutura para se organizar. Destas pessoas que se disponibilizam, muitas não tem estrutura emocional suficiente para lidar com a carga do conteúdo que o outro pode lhe trazer.

Para um suporte adequado, existe um serviço via telefone que é capacitado para lidar com essas questões, e podemos difundir em nossas redes sociais, virtuais ou não, para que mais e mais pessoas conheçam e saibam que podem procurar caso não se sintam confortáveis em procurar alguém da família, conhecidos, amigos. Este serviço é o Centro de Valorização da Vida e para acioná-lo só é preciso ligar pra 141. Mas, além disso, cabe a nós também tomar iniciativas como buscar psicoterapia, conversando com quem evidencia sinais, indicando onde encontrar e apoiando essa busca. Ir junto, agendar, dar o primeiro passo, pode ser o que de mais importante possa ser feito àquela pessoa. Julgamentos morais, religiosos, tabus, devem ser deixados de lado e dar ênfase apenas à pessoa, ofertando a escuta acolhedora e compreensiva, para assim estabelecer um laço de confiança para buscar alternativas.

O suicídio é o que especialistas chamam de “afunilamento” das percepções, onde não se encontram mais possibilidade e saídas, e por isso se suicidar se evidencia como única saída. Encontrar apoio adequado é intervir ampliando essas percepções e auxiliar no encontro de alternativas de cuidado, de valorização, empoderamento, tudo o que for necessário e reestruturante ao sujeito que sofre. Mais do que qualquer coisa, precisamos pensar nesse sofrimento do outro. Ofertar a possibilidade de falar sobre os tormentos pode ser uma forma eficaz de prevenir o suicídio, pois nestas situações as pessoas geralmente se percebem sozinhas e isoladas. Precisamos primordialmente estar preparados para ouvir.

Quebremos mais e mais tabus, para que possamos abrir espaço para as pessoas e seus sofrimentos, para que sejam ouvidos e cuidados adequadamente. Sem julgamento, sem preconceito, apenas estar disponível ao outro, para ouvir e orientar. Eis nosso principal desafio.




2 comentários:

  1. Olá, achei muito importante o blog falar do suicídio que é um assunto muito importante e que as pessoas as vezes esquecem ou jugam alguém que cometeu esse ato sem mesmo saber o porque ou para aquelas pessoas próximas sentem a angústia de não ter percebido o que a pessoa estava sentindo.

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    1. Obrigada Camila! Gostei bastante de falar sobre esse tema! E espero ter ajudado algumas pessoas <3 beijos Camila

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